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Prezado acadêmico, vamos trabalhar agora um assunto tão interessante quanto importante: a conservação dos alimentos. Nesta aula, especificamente, nossos estudos vão se concentrar no que conhecemos como conservas.
“Mas, professor, a qual tipo de conservas você está se referindo?” Bem, sabe aquelas conservas que, provavelmente boa parte de nós temos em casa, que nossos avós e pais sempre faziam? Conservas de pepino, de batatinha, de pimenta, de gengibre, dentre outros? Ou mesmo as conservas que encontramos prontas nos supermercados tais como palmito, alcaparras, azeitonas e alguns enlatados – atum, sardinha, alguns tipos de carnes, etc. Então, é desse tipo de preparação que iremos falar!
De acordo com Sebess (2014) existem diversos tipos de produtos e ingredientes que se utilizam para produzir uma conserva: hortaliças, carnes, pescados, frutos do mar, champignons, ovos e frutas, dentre outros. Podemos classificá-las em doces e salgadas e/ou ácidas. Para produzir as conservas doces, essencialmente se utiliza frutas e açúcar. Já para as salgadas e/ou ácidas, a base para sua conservação é fundamentalmente a salmoura, o vinagre, o vinho ou ainda alguns tipos de óleo, dentre eles o azeite de oliva.
Na antiguidade, o homem buscava um meio para conseguir conservar os alimentos por mais tempo, independentemente de fatores externos, como o clima. Ele precisava de um método para estocar alimentos por um período mais longo, e quando algumas formas de cocção foram descobertas, aliadas ao uso do sal misturado com a água, obtinha-se uma solução com o poder de manter alguns alimentos em boas condições por mais tempo.
Água e sal combinados promovem condições desfavoráveis para a ação dos responsáveis por doenças alimentares, propiciando a conservação por meio do controle da umidade. Essa técnica também é conhecida como salmoura, que veremos isso mais a fundo em aula posterior. O vinagre entra aqui também como um dos agentes responsáveis pelo aumento da vida de prateleira dos produtos, pois, contendo no mínimo 5% de ácido acético, é eficaz na inibição da proliferação de microrganismos.
No início do século XIX, Napoleão Bonaparte ofertou um considerável prêmio a quem pudesse conceber um processo capaz de conservar os alimentos por um período mais longo. Franco (2004, p. 216) relata que o vencedor do prêmio foi o francês Nicolas Appert, que demonstrou que ferver alimentos colocados em recipientes de vidro e, na sequência, fechá-los hermeticamente assegurava a conservação por meses. Algum tempo depois, o inglês Peter Durand teve a ideia de substituir os recipientes de vidro por latas, o que favoreceu muito o aperfeiçoamento da produção de alimentos enlatados. Isso, aliado à técnica de pasteurização, possibilitou grande crescimento da indústria de alimentação.
Graças à ciência e à tecnologia, diversos métodos de conservação de alimentos foram desenvolvidos no decorrer do século XX, conforme Sebess:
A conserva serve para preservar alimentos durante um período de tempo mais prolongado, utilizando diversos métodos, como os térmicos (esterilização, pasteurização, refrigeração e congelamento), os métodos de redução de água (salga, adição de açúcar para as conservas em caldas, desidratação, concentração por evaporação e por liofilização para preparação de sucos), os métodos de aumento da acidez (com adição de vinagres), os métodos de redução de oxigênio (embalagem a vácuo) e os que utilizam substâncias inibidoras (conservantes como o álcool para produção de licores e frutas em álcool). Dessa maneira é possível consumir produtos sazonais em todas as épocas do ano. (SEBESS, 2014, p. 338).
Atualmente, além do óbvio propósito de conservar os alimentos, o preparo de diversos tipos de conservas feitos pelo Garde Manger e cozinheiros mundo afora tem como objetivo intensificar e aguçar os sabores e aromas dos alimentos submetidos ao preparo de conservas. E o mais interessante é a capacidade dos profissionais de desenvolver variados tipos de conservas e aplicá-las em inúmeras receitas e preparos. Um excelente exemplo que gosto de citar é do Chef paulista Jeferson Rueda, que comanda diversas casas próprias em São Paulo. Em muitos pratos constantes em seus menus, ele lança mão de conservas para acompanhar e complementar suas criações. Até mesmo em um sanduíche desenvolvido por ele, o chamado “Hot Pork”, que é a versão dele de um cachorro-quente, ele produz e utiliza uma conserva, o picles de cebola roxa.
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Assim, a utilização de conservas se faz presente desde as entradas, passando por pratos principais e sobremesas, como as compotas e geleias, por exemplo.
Na sequência, observem os tipos de conservas mais utilizados na gastronomia:
Picles
Relish
Chutney
Geleia
Compota
Picles: entende-se por picles um tipo de conserva preparada com vegetais de consistência mais firme tradicionalmente conservados em salmoura ou vinagre. No preparo, adicionam-se também ingredientes que contribuam com o sabor e aroma da preparação, como açúcar e especiarias (pimenta do reino, folhas de louro, dentre outros) (BENEVIDES; FURTUNATO, 1998). Os insumos mais comuns para o preparo de picles são: pepino japonês, couve-flor, cenoura, cebola pera, repolho, etc.
Picles de pepino
Fonte: Freepik.
Relish: Possui o mesmo fundamento dos picles, todavia, os alimentos são cortados em pedaços bem pequenos.
Relish de berinjela, tomate e alho
Fonte: Freepik.
Chutney: trata-se de um tipo de molho agridoce de origem indiana que leva frutos, vinagre, açúcar e especiarias. Segundo Julião et al. (2019, p. 23), a palavra inglesa chutney (originária do hindu chatni) é designada para representar um tipo de conserva picante de origem indiana na qual vegetais e/ou frutas são cozidos junto com especiarias, vinagre e açúcar. Na receita original de chutney são utilizados vinagre, maçã, açúcar mascavo e sal. Normalmente é servido na forma de uma pasta ou molho salgado para acompanhar carnes assadas ou grelhadas.
Tipos de chutney indiano
Fonte: Freepik.
Geleia: frutas ou vegetais cozidos em calda de açúcar ou na própria frutose que reduzem e ganham aspecto de uma pasta gelatinosa.
Geleia de morango
Fonte: Freepik.
Compota: O mesmo processo da geleia, porém com a fruta ou vegetais em pedaços grandes ou inteiros.
Compota de laranja
Fonte: Freepik.
Bem, caro aluno, após o estudo de um apanhado histórico e os fundamentos das conservas, de forma a ilustrar e facilitar o entendimento, vou compartilhar com vocês um passo a passo de preparação de uma conserva, uma receita clássica de picles de cebola roxa. Mas, antes, vejamos como esterilizar os recipientes de vidro.
Esterilização de Vidro
em Água Fervente
É muito importante que, independentemente de vidros novos ou usados, todos devem ser muito bem lavados com água e sabão, inclusive as tampas. Aliás, as tampas devem ser sempre novas, ou seja, não podem ser reutilizadas, uma vez que a borracha que as acompanha não teria o mesmo efeito no momento de vedar a conserva. Importante também verificar se todos os vidros estão íntegros.
Retirar os vidros e as tampas da panela cuidadosamente com uma pinça e dispor sobre um papel toalha para escorrer o excesso. Em seguida, transferir os vidros com uma pinça para uma assadeira e levar ao forno para secar a 110ºC por 3 minutos.
Em uma panela alta, colocar os potes de vidro e as tampas, envolvendo-os com panos limpo de algodão para que não se choquem. Completar a panela com bastante água até que os vidros estejam submersos. Levar a água à ebulição branda. Ferver por 10 minutos após entrar em ebulição.
As conservas que passaram por cocção e estiverem aquecidas devem ser adicionadas nos vidros ainda quentes. Após bem fechados, é a hora de realizar a última fervura. Colocar os vidros em uma panela de água a aproximadamente 70ºC e deixar chegar no ponto de ebulição. Ferver por mais 10 minutos. Retirar com cuidado, deixar esfriar e conservar em local seco.
Esterilização de Vidro em Água Fervente
PASSO 1: LAVAR
É muito importante que, independentemente de vidros novos ou usados, todos devem ser muito bem lavados com água e sabão, inclusive as tampas. Aliás, as tampas devem ser sempre novas, ou seja, não podem ser reutilizadas, uma vez que a borracha que as acompanha não teria o mesmo efeito no momento de vedar a conserva. Importante também verificar se todos os vidros estão íntegros.
PASSO 2: ESTERILIZAR
Em uma panela alta, colocar os potes de vidro e as tampas, envolvendo-os com panos limpo de algodão para que não se choquem. Completar a panela com bastante água até que os vidros estejam submersos. Levar a água à ebulição branda. Ferver por 10 minutos após entrar em ebulição.
PASSO 3: SECAR
Retirar os vidros e as tampas da panela cuidadosamente com uma pinça e dispor sobre um papel toalha para escorrer o excesso. Em seguida, transferir os vidros com uma pinça para uma assadeira e levar ao forno para secar a 110ºC por 3 minutos.
PASSO 4: ESTERILIZAÇÃO FINAL
As conservas que passaram por cocção e estiverem aquecidas devem ser adicionadas nos vidros ainda quentes. Após bem fechados, é a hora de realizar a última fervura. Colocar os vidros em uma panela de água a aproximadamente 70ºC e deixar chegar no ponto de ebulição. Ferver por mais 10 minutos. Retirar com cuidado, deixar esfriar e conservar em local seco.
De acordo com Sebess (2014), as conservas duram em média um ano quando bem armazenadas em locais frescos e secos e com temperatura de até 30ºC. Depois de abertas, as conservas devem ser acondicionadas sob refrigeração e consumidas em até 7 dias.
Assim, finalizamos esta interessante aula sobre conservas, mas fiquem ligados que ainda teremos mais aulas sobre outros métodos de conservação utilizados pelo Garde Manger. Até lá!
Nesta aula estudamos:
- Métodos de Conservação de Alimentos: Preparo de Conservas
Para complementar seus estudos, assista à videoaula a seguir:
Parabéns! Aula Concluída.
Veja as referências utilizadas pelo(a) autor(a). Você pode ainda enriquecer seu aprendizado com os materiais complementares.

